Em tempos de Whats, ligação é prova de amor


O mau uso do WhatsApp tem feito muitos relacionamentos entrarem em crise. O administrador Livio Conte (foto acima), de 25 anos, é um exemplo de quem passou por alguns desentendimentos por causa disso. Ele conta que por não ter se policiado ao usar a rede social teve muitos conflitos com a ex-namorada. “Nunca gostei de tratar assuntos sérios por mensagens por achar ‘frio’ demais. Sempre achei que fosse melhor conversar pessoalmente, mas minha ex-namorada pensava diferente. Então, comecei a aceitar o fato de resolver os problemas por mensagens, até que passamos a brigar por mensagens, sempre por não interpretarmos direito o que o outro tinha escrito. Com o passar do tempo, acabamos nos tornando mais frios um com o outro quando precisávamos resolver algo”, conta o administrador.

O comportamento dos dois diante das teclas foi um grande potencializador para o término da relação. “As discussões sem motivo pelo WhatsApp tornaram nosso relacionamento um pouco virtual. Até que ela terminou o nosso namoro de três anos via WhatsApp.”

E não foi só na vida amorosa que Livio teve problemas. “Já interpretaram minhas mensagens de forma equivocada. Uma vez enviei um texto querendo saber a opinião da pessoa a respeito de um determinado assunto e ela achou que eu estava sendo irônico, respondendo de forma grossa”, diz.

Ele já cometeu até gafes. “Tinha dois contatos no celular com o mesmo nome e, na correria, enviei fotos do evento em que estava para a pessoa errada. O lado positivo é que organizei toda a minha agenda depois disso.”

Depois de muitos conflitos, Livio aprendeu a usar a ferramenta de forma inteligente e faz questão de resolver assuntos sérios da forma como deve ser. “Acredito que o WhatsApp é incrível, porque diminui distâncias, mas nunca devemos perder o ‘olho no olho’. Muitas pessoas (penso que isso aconteceu no meu relacionamento) se tornam mais corajosas atrás de uma tela ou optam pelas mensagens para não encarar uma situação. Mas o ideal é controlar os sentimentos, a ansiedade e esperar para conversar pessoalmente”, conclui.

Fale pessoalmente

Assim como Livio, muitas vezes as pessoas têm optado por conversar assuntos que deveriam abordar pessoalmente por WhatsApp.

A estudante Aline Sales Ramos da Cruz (foto acima), de 20 anos, passou por isso. Por conta do excesso de mensagens, indiretas e críticas que fazia por meio do aplicativo foi mal interpretada e perdeu muitas amizades. “Em vez de buscar resolver questões pessoalmente, eu preferia discutir com elas por mensagens e, quando tinha a oportunidade de falar cara a cara, ficava no celular e não dava atenção. Assim, as situações ficavam mal resolvidas e as pessoas se afastavam”, se lembra.

O mesmo aconteceu com os familiares dela. “Não dava mais atenção a eles. E, por conta disso, a relação com eles ficou fria. Conversava com meus pais on-line e quando estávamos juntos não tínhamos assunto e havia brigas por falta de atenção. Nos almoços de família, não ficava mais com eles, me trancava no quarto e ficava na internet”, revela.

Ao perceber que estava prejudicando suas relações, Aline decidiu mudar seu comportamento. “Hoje resisto quando tenho vontade de falar bobagens por mensagem e deixo para falar o que é importante pessoalmente. Também pondero a forma como escrevo para não correr o risco de ser mal interpretada. Aprendi a usar essa rede social de forma sábia, para me ajudar e não para me destruir”, comenta.

Use de forma inteligente

O aplicativo é muito útil para agilizar a comunicação entre duas ou mais pessoas, mas é preciso ficar atento para não usar essa ferramenta de maneira inapropriada.

“Por exemplo, duas pessoas estão se conhecendo e passam a trocar mensagens. Se uma delas passa muito tempo sem responder, a outra já acha que ele ou ela não está mais interessado e começa a gerar uma série de fantasias que muitas vezes não passam de imaginação, pois o outro pode estar ocupado no trabalho, com algum problema ou simplesmente não gosta muito de ficar mandando mensagens”, esclarece a psicoterapeuta Daniela Rodrigues Costa.

A boa e velha conversa

A especialista acredita que, quando escrevemos, sabemos o que queremos dizer, mas não sabemos o que o outro vai entender. Por isso, surgem os mal-entendidos e as dificuldades nas relações. “Já em uma conversa presencial existem vários tipos de linguagem: a verbal, a corporal, o tom de voz, que ajudam na interpretação e no entendimento da mensagem”, explica a psicoterapeuta.

Atualmente, as relações começam e terminam pelo celular. Funcionários falam com seus gestores assuntos que não deveriam ser tratados pela ferramenta e amigos rompem amizades por má interpretação das mensagens on-line. “As pessoas estão cada vez mais ansiosas e não conseguem esperar para ter conversas importantes quando estiverem juntas. Com isso, acabam precipitando situações ou passando por momentos desagradáveis, em razão do hábito de querer sempre instantaneidade”, complementa.

O WhatsApp é um recurso que deve ser usado para comunicações breves, então, evite expressar emoções ruins ou desnecessárias por meio dele, busque discernir o que realmente deve ser escrito.

As gafes do 'zap zap'

São muitas as situações que podem gerar transtornos, como...

  • Mandar mensagem para um grupo errado com conteúdo impróprio

  • Falar mal de alguém e mandar para a própria pessoa

  • Mandar fotos ou textos que podem cair em mãos erradas e até ser prejudicado por isso

  • Ter problemas em seu relacionamento por querer resolver a relação on-line

  • Mandar mensagens desnecessárias sobre o trabalho fora do expediente

  • Substituir a conversa “olho no olho” por textos e áudios

  • Mandar emojis errados e ser mal interpretado

  • Confundir o destinatário da mensagem

Texto com a colaboração da Psicóloga Daniela Rodrigues Costa

Veja o artigo publicado originalmente aqui

#DanielaRodriguesCosta #PsicologiadaVila #whatsapp #bomusodowhatsapp